Inserir o deficiente no mercado de trabalho

Fev 03 2015

Responsabilidade social. Duas palavras que fazem parte, cada vez mais, do vocabulário de empresários que buscam pela melhoria da qualidade de vida de seus funcionários e das comunidades em volta de suas filiais. Apesar de ter virado moda – e de algumas empresas usarem o termo apenas como marketing -, algumas enxergam essa responsabilidade como ponto estratégico na sua gestão.

imagem deficiente2 400Para a Uranet, que mantém um projeto de home office para portadores de necessidades especiais, em apoio à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que chega aos seus doze anos, o Projeto Atendimento Especial é visto como parte de uma estratégia de engajamento em ações que tem como foco a ética e a transparência embutidas em todas as práticas internas e nas relações com seus stakeholders.

O projeto Atendimento Especial, criado em abril de 2003, tem o objetivo de incentivar a inserção do portador de necessidades especiais no mercado de trabalho facilitando o exercício das suas atividades profissionais. “Consideramos ser uma obrigação da sociedade como um todo ajudar as entidades sérias que visam o bem estar das pessoas em todas as suas formas”, explica Andres Enrique Rueda Garcia, presidente da Uranet, em relação ao apoio à AACD. “Bem estar por saber que estamos ajudando uma causa nobre e que, mesmo sendo pequena, nossa participação ajuda a construir um benefício bem maior”.

Os atendentes especiais trabalham de suas casas graças à ferramenta Intergrall, solução virtual da Uranet de gerenciamento inteligente de contact center. A ferramenta, por ser totalmente via internet, permite sua utilização em qualquer computador e local e a empresa é responsável pela sua instalação e pela configuração física de atendimento na residência do atendente especial, além de permitir a inclusão digital do deficiente. “Ele [atendente especial] é parte da empresa. Tem vínculo trabalhista como todos os outros funcionários. Carteira assinada, assistência médica e inclusão digital, pois instalamos micro, banda larga e linha telefônica em sua residência, cuja utilização pode ser feita normalmente fora do seu horário de expediente”, comenta Garcia.

Além da estrutura, os funcionários em regime de home office recebem  treinamento por meio de sistemas de ensino à distância, que lhes garante o mesmo nível de acesso à informação e conhecimento dos colaboradores que trabalham dentro da Uranet. “Os funcionários do Projeto Atendimento Especial que trabalham em casa no regime de home office são, na totalidade, deficientes físicos. Porém, está é a única diferença em relação aos outros funcionários da empresa. Eles contribuem com seu serviço exatamente da mesma forma que todos os demais funcionários, com sua força de trabalho para um atendimento de excelência para nossos clientes”.

O Instituto de Apoio à Criança e ao Adolescente com Doenças Renais (ICRIM), adotou a ferramenta da Uranet e das dez operadoras de telemarketing que captam recursos para o instituto, oito trabalham em regime de home office com o apoio do Intergrall. “Esse diferencial promove agilidade e eficácia nos processos de captação de recursos. A parceria com a Uranet nos possibilita usufruir de um sistema de tecnologia de ponta que reflete positivamente no atendimento prestado aos nossos quase oito mil contribuintes”, afirma Paulo Rogério Cassis Peres, gerente de comunicação do ICRIM.

Apesar do comprovado sucesso do atendimento ao cliente prestado em home office, a modalidade ainda enfrenta resistência por parte dos contratantes, mais ainda quando ele é informado que esse atendimento será feito por um deficiente físico. “Costumamos dizer que a hipocrisia das empresas se destaca neste caso. Todos adoram o projeto, ficam até emocionados nos parabenizam pela iniciativa, porém, na hora de contratar nossos serviços, ainda preferem o atendimento convencional”, sentencia Garcia.

Por outro lado, o executivo acredita que a modalidade ganhará destaque nos próximos anos, principalmente na área de vendas. “O modelo americano de pagamento por hora para colaboradores que trabalham em casa é um sucesso há décadas. Inclui uma nova gama de pessoas que hoje estão descartadas no setor como, por exemplo, a dona de casa, o estudante e o aposentado. Acreditamos que a melhora na qualidade do setor passa necessariamente por esta facilidade do século 21, claro que com toda uma reestruturação das questões trabalhistas envolvidas”. Complementa.

Além do Projeto Atendimento Especial, a URANET criou o Programa de Qualidade de Vida, que proporciona melhores condições de saúde física e emocional aos seus funcionários por meio de assistência médica conveniada, ginástica laboral, fonoaudiologia, sala de relaxamento e massagem. O Programa também inclui investimentos em planejamento ergonômico das instalações, além de atividades recreativas e culturais com seus familiares.

O Projeto Atendimento Especial ganhou reconhecimento em 2005 com o prêmio “Empresa Especial – AACD”, concedido pela AACD às dez principais empresas que se destacaram por sua atuação em projetos de Responsabilidade Social. Atualmente, a Uranet conta com 170 funcionários participando do projeto.

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