CRM do Bem

Nov 06 2012

Em uma pesquisa rápida, observa-se que já há algum tempo o terceiro setor é destaque na economia brasileira. Segundo o IBGE, em 2007 movimentava algo em torno de 1,4% do produto interno bruto brasileiro. Considerando o crescimento do PIB nos últimos anos e a entrada de mais interessados no ?Bem Social?, pensar em mais de 60 bilhões de Reais não parece improvável nos dias de hoje.

A história relata que as primeiras entidades do setor iniciaram suas atividades no Brasil no século XVI, numa ligação direta entre o Estado e a Igreja Católica. Isso começa a mudar no final do século XIX, consolidando-se entre as décadas de 60 e 90 do século passado, com a entrada do setor empresarial e da qualificação jurídica específica, além de novas formas de regulação para a interação com o Estado.

Deixando de lado os detalhes das especificidades das atuais entidades que operam o terceiro setor, atrevo-me a generalizar e, de forma simplista, deixando o Estado de lado, resumir em três as principais forças envolvidas neste modelo, são elas:
a)    Doadores: interessados em saber o destino social de seu dinheiro e, se possível, pois ?ninguém é de ferro?, quanto disso será abatido dos impostos;
b)    Beneficiários: interessados nos benefícios e na forma mais rápida de usufruí-los;
c)    Entidades: interessadas na efetividade da captação dos recursos, em seus projetos sociais e na facilidade da prestação de contas.

Começando de baixo para cima, as entidades interessadas em habitar o terceiro setor e amealhar os incentivos governamentais, empresariais e civis precisam que seus processos internos estejam estruturados para buscar as verbas, aplica-las de forma consistente e ter todas as evidências de seu bom uso. Aqui começa o CRM do Bem. Bons processos ativos de captura multicanal de potenciais doadores e sua transformação em contribuintes regulares. Nenhuma doação deixará de ser feita por esquecimento, falta de pró-atividade, desorganização ou tecnologia. Com o dinheiro em caixa, o planejamento das ações sociais, que envolvem sincronismo de atividades e responsáveis, garante que os projetos saiam do papel no prazo e possam gerar os benefícios esperados pela comunidade, além dos indicadores previstos pelos doadores.

Para os beneficiários, a vinda da estratégia e da prática de gestão do relacionamento pode significar maior transparência e esperança. Informação disponível e compartilhada sobre os programas oferecidos, clareza no entendimento do caminho e dos prazos para tornar-se e manter-se beneficiário, sendo reconhecido e orientado de forma diferenciada dentro dos programas das entidades.

Do lado doador, sempre pairam as incertezas sobre a destinação dos recursos e eficiência das instituições mantidas. Desta forma, bons sistemas de arrecadação, bons indicadores para acompanhamento dos resultados dos programas e mecanismos para comunicação regular entre doadores e entidades, ou seja, nada mais relacionamento do que isso. As boas práticas neste ponto recomendam indicadores simples, de fácil compreensão e baseados em resultados mensuráveis.

São tempos difíceis, onde há desconfiança sobre os reais interesses de filantropos, organizações e candidatos aos benefícios. É mais do que hora do Terceiro Setor aprender sobre transparência e sair do seu estágio primário de simples captura de recursos e gestão amadora de projetos. O CRM pode ser um começo, e com ele um bom Balanço Financeiro e um ótimo Demonstrativo de Resultados, também!



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